A História do Papel

O homem primitivo, em suas cavernas, procurou expressar-se por meio de desenhos ou sinais simbólicos que eram formas de perpetuar suas lembranças e transmitir experiências ou anseios de comunicação.
Criaram-se então alfabetos, conjunto de letras ou sinais representando som. E se à princípio o homem escrevia na argila ou na pedra, já em estágio mais avançado da civilização os homens procuravam materiais mais adequados para expressar a escrita.
O papiro e o pergaminho, primeiros suportes da escrita, eram escritos no sentido transversal do rolo. Depois, passou-se a escrever no sentido do comprimento do rolo, tornando, assim, mais fácil a leitura, pois o leitor enrolava e desenrolava na medida em que ia lendo.
Aos poucos, a largura desses rolos foi diminuindo, enquanto o comprimento aumentava, surgindo paulatinamente a concepção de um formato regular. Para chegar a esse resultado, escrevia-se somente de um lado e, em vez de enrolar o papiro, dobrava-se a faixa a curtas distancias regulares em forma de fole, prendendo-se a cada extremidade um pedaço de cedro.
Do livro em forma de fole ao livro constituído por caderno foi um passo. Começou-se a costurar um bloco, atravessando os cadernos formados na parte esquerda do fole. Isso impedia que se folheasse o lado em que estava escrito.
Ainda na Antiguidade Clássica, o primeiro rolo de papiro ou de pergaminho foi substituído pelo livro de formato retangular, mantendo-se o segundo suporte até a difusão do papel. Nesse estágio surge o embrião do que viria a ser a encadernação, usando-se a designação de códice para esse volume toscamente protegido por capas de pergaminho.
A partir de 1680, a máquina holandesa de papeis fez com que se perdesse a qualidade em decorrência da quantidade produzida. Até então o papel era confeccionado com trapos coloridos em processo de maceração e prensa manual, transformando-se em folhas de um papel mais denso do que o produzido na máquina. Somente a partir de 1740, os trapos passaram a ser clareados com cloro.
Nos idos de 1719 já se pensava em fabricar papel à base de madeira que é até a atualidade um papel de qualidade inferior.
Em 1851 não se usa mais o trapo para a confecção de papel.
Inventado pelos chineses, durante muitos anos a confecção do papel era um segredo.
O progresso no decurso do tempo foi piorando a qualidade do papel, face a utilização da lignina que é um produto químico responsável por sua acidez.
O jornal por exemplo, é um papel de pouca durabilidade, traz no seu corpo o agente de sua degradação. Naturalmente absorve água da atmosfera e devido a alternância da umidade, contração e dilatação, fragmenta com muita facilidade.

  • 105 d.C. - A invenção de papel é atribuída a T'sai Lun na China, fabricado a partir de fibras de cânhamo trituradas e revestidas de uma camada de cálcio, alumínio e sílica.
  • 1000 até cerca de 1830 - Trapos velhos eram utilizados na indústria de papel até meados do século XIX, tal costume foi interrompido em meados do século XVII, quando acreditava-se que os restos de pano contribuíam para a propagação da peste.
  • 1719 - O naturalista francês Reaumur sugere o uso da madeira como matéria-prima para o fabrico de papel, ao observar que as vespas mastigavam madeira podre e empregavam a pasta resultante para produzir uma substância semelhante ao papel na construção de seus ninhos.
  • Meados Séc. XIX - surge a demanda de papel para a impressão de livros, jornais e fabricação de outros produtos de consumo, levando à busca de fontes alternativas de fibras a serem transformadas em papel.
  • 1838 - produção de pasta de palha branqueada.
  • Anos 1840 - Na Alemanha, desenvolve-se um processo para trituração de madeira. As fibras são separadas e transformadas no que passou a ser conhecido como "pasta mecânica" de celulose.
  • 1854 - É patenteado na Inglaterra um processo de produção de pasta celulósica através de tratamento com soda cáustica. A lignina, cimento orgânico que une as fibras, é dissolvida e removida, surgindo a primeira "pasta química".
  • Anos 1860 - Invenção do papel couché. Lançamento do papel higiênico em forma de rolo.
Margareth Silva Rodrigues Alves